Num dia de céu enublado e com a chuva ameaçar cair para regar os campos, deitas-te por terra todas as esperanças que na tua pessoa um dia depositei.
Para ti, deu-me a parecer que foi fácil de mais plantar uma semente e aquando do seu crescimento, foste com a mais pura das friezas arrancar a raíz em pleno desenvolvimento.
É um bocadinho fora de contexto, estar a comparar a nossa história a uma planta, mas torna-se perfeitamente fiável, pelo desenrolar dos teus actos para comigo.
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| mútuo |
Acredito mesmo, que ainda antes de abrires espaço para colocar a "nossa" semente (é importante frisar este "nossa") tenhas tido muitas dúvidas em relação ao facto de poder haver lugar para algo crescer por ali, vindo do vácuo, porém, ainda hoje me pergunto porquê?
-Porque é que tiveste todas essas dúvidas se eu própria me aventurei no mesmo que tu e ainda assim estava contigo, para te segurar de todas as quedas que te incitassem a ir abaixo?!
Não fui perfeita para contigo, mas também não te exigi a perfeição.
Secalhar, o que eu sentia era simplesmente um irreal que na verdade mais tarde ou mais cedo eu iria notar que nunca poderia passar para o verdadeiro mundo.
Secalhar, senti que te tinha comigo, que te tinha em mim e na verdade nunca estiveste comigo, nunca foste meu.
Por vezes, o sentimento ultrapassa os limites da realidade e quando a razão nos chama ao mundo, já estamos demasiado petrificados ao ver tanta fantasia à nossa volta.
Por outras palavras... Quando sentimos que temos o mundo a nossos pés, é porque não estamos realmente dentro dele, mas chegamos sim, a pensar que nos podemos apropriar do que não é nosso.
É impossível obrigar uma pessoa a entrar de rompante no nosso mundo, É um facto inegável.
Mas eu já sei que é possível as pessoas nos entrarem entrarem no coração, sem pedir pelo menos permissão e depois sair dele sem nós darmos conta.
Por vezes penso se não podemos realmente pôr uma pedra no coração... Não para proibír a entrada a estranhos, mas sim para não permitir a saída de quem um dia tomara conta do nosso único lado racional restante.
A pior regra que nos podem impor é querer tirar alguém de dentro do coração, quando esse mesmo - o coração - é o primeiro a contrariar esse acto. A pior sensação por que se pode passar, nestas circunstâncias, é a volta da consciência à tona do mundo.
Acho que vou voltar ao exemplo da planta e expressar-me de acordo com os príncipios da natureza.
O pior acto que se pode fazer a uma planta é, certamente, arrancar a raíz prematura da terra, a raíz que quer tanto desabrochar e que nós voluntariamente obrigamo-la a desocupar um espaço que na verdade queremos que ela ocupe; mas que não deve lá ficar.
Por outro lado, a melhor coisa que fazemos para o melhor desenvolvimento dessa planta é arracarmos as ervas daninhas que impossibilitam o seu normal crescimento e para chegarmos a tal conclusão não é necessário ter uma expansiva cultura agrícola, assim como para ocupar o coração de alguém, não precisamos de nos moldar a ninguém, nem cair na ilusão de uma história e um amor perfeito e idealizado.
Hoje sinto que me estás a tirar a semente que um dia plantas-te, do meu coração.
Um dia vou sentir que apenas foras uma erva daninha e que fizeste aquilo que eu própria deveria ter feito para o meu bem: tirar-te de mim e voltar ao mundo que um dia, por ti, abandonei.


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