domingo, 13 de maio de 2012

Pormenor Principesco

Hoje não escrevo para ninguém. Hoje escrevo a toda a gente.
Não me dirijo a ninguém. Dedico a todos os que me conhecem. 

Uma rapariga comum, por entre os seis biliões de pessoas existentes no mundo. 

A olhos externos, não sou ninguém no mundo. 
Ao contrário do meu consanguíneo e de vários conhecidos meus, ainda não descobri o meu "talento" apesar de, sinceramente, começar a achar que tenho dom meramente para dormir, agir segundo as ideologias cedidas pela experiência, ver cada desgraça que todos os dias me passa pelos olhos e simplesmente me sentar na minha varanda a pensar em tudo e todos, a ver os carros passar e a ouvir a melodia feita pelos latidos dos meus cães. 

Estou na flor da idade. Não sou mais que ninguém, nem menos. 
Não sou linda, nem adepta de photoshop. 

Com a vida, percebi que por instinto natural, como Ser Humano que sou, tenho um forte desejo em ser bom em alguma coisa, senão em tudo em que me envolvo. E isso é notável pelas horas que me levanto para ir para a escola! 

Percebi que não tenho de me esforçar no meu "trabalho" para agradar ou para orgulhar os meus pais, o meu irmão ou o meu Anjo do Céu...
Entendi sim, que tenho de mostrar que sou boa em alguma coisa, não por uma questão de agrado ou orgulho, pura e simplesmente por sobrevivência. 

Sou uma rapariga comum e tradicional, mas não me auto caracterizo como "igual" visto que não é o mesmo conceito! 

Por autónoma que sou, um dia, daqui a algum passar de anos, quero ter a minha "independência", onde possa morar num apartamento actual e no andar mais alto, com mobília e utensílios de cozinha modernos, com as paredes do meu quarto de cores acolhedoras, assim como os tons da sala escolhidos por mim e onde possa saltar de sofá em sofá, onde possa fazer as minhas experiências culinárias, visto que o meu dom não é definitivamente esse! 
Quero, principalmente, um lar a que possa chamar MEU, e por mim conquistado, com os estudos já acabados e estabilidade profissional já ganha.

Por mero esquecimento, posso ter-me esquecido de uma figura que irá mudar a minha vida. 
Um alguém forte, com músculos das pernas definidos, com um cabelo suave ao toque, dentes tão brancos como a neve que irá cair no inverno e a qual nós os dois, lado a lado, abraçados iremos adorar à janela de meu quarto. 
Uma figura que seja indispensável à vida de uma mulher (pré)realizada, uma figura, com a qual seria impossível viver, pois irá-me fornecer todo o tipo de carinho, aconchego e que me irá fazer soltar uma gargalhada, que até o vizinho do rés-do-chão irá ouvir, quando menos me apetecer. 

Um alguém, que quando eu ficar a trabalhar até "às tantas"  (como se diz num português calão correcto) e quando, de tão cansada que estou, adormecer na secretária do escritório, me vem acordar com um beijinho no ouvido e me vem soprar o seu hálito verdadeiramente cheiroso directamente ao meu nariz!
Mau era se não estivesse claramente a falar do meu Golden Retriever! Aquela bolinha de pêlo que parece uma nuvem, com uma energia inesgotável, a única criatura no mundo que tem energia para dar e vender e que juntamente ao meu mau humor matinal me irá alegrar quando chegar a casa depois de mais um dia de trabalho, me irá irritar enquanto estiver a aprender que as necessidades se fazem na rua, me irá iluminar quando der à luz as suas crias e me irá entristecer quando partir para o céu dos cãezinhos.

Quero sobretudo ser livre, fugir à rotina de uma vida chata e no fim de tudo ainda ter alguém que goste de mim como perfecionista e detalhada que sou.
Quero alguém que encontre precisamente isso: cada ínfimo detalhe meu.


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